Tuesday, 26 April 2011

Depois dizem que viver em sociedade é difícil. Humpff! Pior é ter que lidar com nós mesmos, nossos medos, preconceitos e ações. Os vilões que moram fora da gente obedecem a perfis, estereótipos, é fácil definir o hipócrita, a mentirosa, o tolo, a calculista. Mas as muitas Julias aqui dentro de debatem, esbarram-se, discutem e não chegam a um consenso, a uma definição do meu lado, digamos, encoberto. Não sou a malvada por ter pensamentos maus, não sou genial por chegar a essa conclusão; só sei que o mais difícil que há é mergulhar dentro da gente e enfrentar a nós mesmos.... Os nossos bandidos, os nossos kuravas...

Saturday, 29 January 2011

Por sinal, isso é lindo de morrer

Rosas das rosas e Fror das frores,
Dona das donas, Sennor das sennores.

Rosa de beldad' e de parecer
e Fror d'alegria e de prazer,
Dona en mui piadosa seer,
Sennor en toller coitas e doores.
Rosa das rosas e Fror das frores...

Atal Sennor dev' ome muit' amar,
que de todo mal o pode guardar;
e pode-ll' os peccados perdõar,
que faz no mundo per maos sabores.
Rosa das rosas e Fror das frores...

Devemo-la muit' amar e servir,
ca punna de nos guardar de falir;
des i dos erros nos faz repentir,
que nos fazemos come pecadores.
Rosa das rosas e Fror das frores...

Esta dona que tenno por Sennor
e de que quero seer trobador,
se eu per ren poss' aver seu amor,
dou ao demo os outros amores.
Rosa das rosas e Fror das frores...

Prestes a fazer uma loucura, em cerca de dez dias. Mas um loucura daquelas boas, daquelas que ao mínimo entrarão na minha biografia. Ansiosíssima, não sabendo o que esperar, mas com a certeza(lá no fundo) que terei bons momentos.
(Ansiosíssima nada, há algo maior do que esse superlativo? Meu coração tá pulando pra fora da boca).
Os medos e as vergonhas voltam, mas quer saber de uma coisa? Arriscar-me-ei, pela primeira vez nessa vidinha medíocre, por algo que pode sim valer muito a pena.
(é impressão minha ou eu usei mesóclise?)
Ou não. Não estou naquele dilema do "dúvida mata?". Não, tenho dúvidas, mas são irrelevantes. Creio que a essa altura já descobri que a gente escolhe nossas ações e resultados. Não existe fugir ao controle, não existe 'não foi intenção minha'. Nós somos responsáveis por tudo o que cativamos. Porém também somos responsáveis por sermos cativados.

Monday, 24 January 2011

Divino.

http://www.youtube.com/watch?v=4U4EIIEYcZg&feature=player_embedded

Sunday, 23 January 2011

Mais uma noite sem dormir, sem sequer fechar os olhos. Centenas de confusos sentimentos me assaltam a mente, me atormentam o juízo e a clareza de sentimentos. Cometi, de ontem para hoje, um grande erro, do qual não me orgulho nem ouso dizer. Foi um ato velado, solitário, invasivo, e talvez não possuindo a dada significância que agora atribuo, porém de uma má-fé inadimissível.
Ao menos consegui terminar de ler meu livro, mesmo depois de ser interrompida por um sonolento e raivoso pai às 4:15 da manhã me mandando ir dormir. Creio que seja por causa do livro que estou mais poética agora do que há 4 horas.
mas continuo com medo das minhas ações, e do meu revidar à vida. Com vontade de inventar uma parábola com bichinhos que resuma toda a existência humana(céus, que vontade besta! creio que há muito já deveria ter desistido da minha imaginação e do meu sentido figurado!).
Li uma boa citação no livro que acabo de terminar: "Só pense no passado se as lembranças forem boas".
Isso só me faz lembrar "Não lembre de um elefante rosa"

Droga, preciso me animar. Daqui a pouco saio pra assistir um concerto, espero não cochilar de cansada.
Preciso sorrir !

Saturday, 22 January 2011

Dilema de ano novo


Encontro-me em um dilema estranho, que já experimentei antes, porém continuo sem saber lidar. É um dilema que sintetiza-se em uma única pergunta: Seria melhor se nós conseguissemos nos esquecer de nossos erros? Se pudessemos simplesmente apagá-los de nossa mente, viveríamos melhor?
De um lado, existe o raciocínio do "experiência, para não errarmos novamente"; porém do outro resta a dor que estas lembranças causam.
Já errei um bocado, e erros em número surpreendente para idade e vivência que acumulei até agora. Vivi mais do que devia, tive que lidar com situações que normalmente meninas da minha idade não têm que lidar. Já violei intimidade alheia; assim como violo a minha própria, quando conto a estranhos e conhecidos dilemas e questões da minha vida. Segredos não sei guardar, e os erros que detonaram essa minha língua frívola não me servem de experiência, e sim de vergonha.
Nos últimos meses errei, deixei-me levar pela minha vaidade, deixei-me entreter com charmes baratos. Fiz coisas ruins, percebendo, porém não me dando a certa conta do alto risco danoso das consequências. Me deixei levar pela vontade, por não saber dizer não, por ver em alguém que me elogia uma desesperada necessidade de sucumbir. Me envolvi com pessoas erradas, pessoas certas, não dei o devido valor a mim mesma.
Acontece que viver é realmente algo complicado; e mesmo a consciência disso não me leva a nada. Não posso apagar meus erros, talvez só me resta ignorá-los.
Seria eu apenas uma tola, uma estúpida? Ou apenas alguém em processo de aprendizado?
Como julgar a mim mesma?
Como não me importar com julgamentos alheios?
A Julia que como já me disseram, é metade menina, e metade mulher, acaba de descobrir que não sabe as situações em que deve ser ou uma ou outra destas facetas. É a menina que precisa de aprovação ou a mulher que necessita de atenção? É aquela que passa longos espaços de tempo se olhando no espelho e fantasiando situações, ou aquela que fica calada quando é a hora de sua voz ser ouvida?
Já tentei renascer da minha própria fênix; assim como já tentei matar de vez essa fênix a pedradas. Já tentei ocultar minha personalidade sob um manto de mentiras; já fiz da verdade motivo de inveja e raiva. Já senti ambos os lados da balança; Já amei e fui amada, já tentei e fui tentada. Já quis morrer por alguém; e já quiseram morrer por mim.
Isso antes da eminente maioridade que se aproxima; faço 18 anos em 18 dias. Escrevi o conjunto de metas para o ano novo mais longo da minha vida, entretanto passei janeiro com a bunda na frente de um laptop temperamental baixando música, fuxicando a vida dos outros e falando com alguém que anda me animando (muito), mas não me nutre nenhuma certeza ( e talvez não deva: sou muito cheia de problemas de difícil entendimento ).
São 4 horas da manhã, e a música não baixa, e o ponteiro não roda, e a vida não passa, e eu sou a mesma garota que tento esconder e reprimir.
Esconder e reprimir me expondo ao máximo.
A vida é uma caixinha de surpresas emperrada que já está começando a me encher o saco.

Monday, 1 November 2010

Eu não presto!

Monday, 4 October 2010

A medida que os outros nos conquistam - 3

Já haviam passado-se 9 anos desde aquela tarde; Rivka voltava da escola, e, no ônibus, pensava no pai.
Aonde será que ele está? Como será o fim do ser humano? Em um caixão, a redenção divina? Depois da morte do pai e da fuga com a mãe de Gaza, Rivka deixou de acreditar nos livros sagrados de seu povo, nos livros sagrados de qualquer povo. Morava agora num país onde aquele que se dizia Messias sem realmente o ser - como seu avô dizia quando ela ainda era pequena - era cultuado e louvado como filho de Deus. Rivka gostava de entrar nesses templos, na maioria uns extremamente antigos, cheios de ouro e adornos à volta dos fiéis. Gostava de analizar também as reações emocionais dos frequentadores, como ouviam as missas em latim, como se benziam ou comiam um pedaço de pão o qual o sacerdote chamava de ''carne de Deus''.
À noite também gostava de fugir e ir à noite nas margens do bairro onde vivia, onde um grupo de negros cantavam aquele novo estilo de música vindo da América chamado Jazz. O padre dizia que era pecado, mas o grupo de americanos também cantavam louvores ( ao mesmo Deus ), e Rivka cria que aquele era o mais verdadeiro modo de festejá-Lo. Também visitou escondida um grupo de negros mas não americanos, de religião esquisita, quase tribal, que cultuavam os mortos. Quisera entrar no grupo e perguntar do seu pai, mas lembrou-se do aviso de sua mãe: Ninguém pode saber quem somos, filha. Não que sejamos gente importante, mas seu pai foi morto por pessoas que não gostariam de saber que nós ainda estamos vivas, dizia. Continuava sem entender exatamente o motivo pelo qual seu pai foi morto - lera umas cartas antigas onde o pai dizia o absurdo que era obrigado a fazer. Não gostava de matar árabes e falava da corrupção por trás do governo de Israel, e como era insuportável para ele ter a família morando fora do território judeu no meio do campo de guerra junto com outras famílias de soldados. Agora Rivka percebia que talvez o medo da denúncia fez com que os inimigos de seu pai colocassem a bomba no quarto dele no dia de seu retorno - afinal, bomba é a coisa mais facilmente associável à palestinos.
Saltara do ônibus.
- Olá Aharon.
-Olá irmã.
Aharon conservava o mesmo ar que sempre teve: os olhos cor-de-mel, extremamente expressivos, a fitavam com o mesmo carinho de sempre. Ela nunca entendeu exatamente o porquê, mas estar ao lado de seu irmão era a maior fortaleza do mundo - sentia-se finalmente segura.
Ele mantinha o corte de cabelo de sempre, parecido com o pai: cabelo nem grande, nem curto, nem certinho ou assimétrico: único, que caia sobre os olhos e ele o tirava com o mesmo gesto que Ravid tinha: puxava para trás com apenas a ponta dos dedos. Tinha o queixo e sobrancelhas fortes, marcantes; E agora dera para usar uma argola numa das orelhas. Em um dos ombros definidos carregava uma bolsa cheia de livros e projetos; viera à Portugal para estudar engenharia, acabou se apaixonando por antropologia, mas continuava a desenhar prédios e pontes futuristas. Rivka achava curioso o fato de seu irmão estudar pessoas, porém achava mais útil do que outros vários cursos. Aharon já era formado nas duas faculdades que cursara em Lisboa: Antropologia e Filosofia, que também era meio estranho de entender. Seu irmão estudava gente e estudava o estudar do estudar dessa gente. Nobre. Trabalhava numa organização estranha, que ajudara a depor Salazar dois anos antes. Tinha uns projetos secretos também, que sussurrava com amigos e fortuitamente trocavam bilhetes em livros ou dentro de sanduiches e outros lugares improváveis. Rivka não tinha a capacidade de perceber a grandeza da ousadia política de seu irmão; mas sentia em seu íntimo um grande respeito pelo que não entendia em seu fraterno.

(a terminar)

Friday, 1 October 2010

Erros e acertos


Como é fácil para o ser humano invadir os espaços uns dos outros. É impossível embarreirar nosso território, seja mental ou emocional, sempre aparecerá alguém pronto a tentar mexer no nosso espaço interno, e modifica-lo ao bel prazer do ditador de sentimentos.

Agora, e quando nós somos esses invasores? Quando nós causamos dor, mágoa, receio, ciúme, coisas tão instintivas que ficam arraigadas no ser influenciado. Quando nós invadimos o coração de alguém quase que sem querer, lenta ou abruptamente, e simplesmente soa impossível sair dessa pessoa, do seu EU. Somos o estopim da mudança, ou a certeza da calmaria e acomodação.

Idolatria. Isso nos joga dentro de uma pessoa. Isso faz com que ela te veja num patamar acima do que propriamente o dela, e torna com que tudo o que ela faça seja para agradar-te.

Desejo. Isso nos joga dentro de uma pessoa. Faz com que elas monopolizem o canal de vontade e você mais uma vez domina seu quadro mental.

Medo. Isso nos joga dentro de uma pessoa. Você passa a ser o pior pesadelo, e, fugindo de ti, você não sai de sua cabeça.

Amor. Isso não nos joga dentro de uma pessoa. Isso nos tira de nós mesmos.

Wednesday, 29 September 2010

à medida que os outros nos conquistam - 2

O tempo tinha parado, e descolando-se dos suados braços do seu pai, o olhos nos olhos.
- Bem vindo de volta, papai. Que sentimento estranho! O pai a acompanhou, enquanto ela a puxava pelo braço com força. - Tenho um presente para você, vem.
- Espera; tenho um para você também. - O pai soltou o braço e voltou ao canto do quintal onde estava sua bagagem: duas mochilas e uma caixa vazada, que se mexia. Ravid levantou e abriu a caixa, tirando uma bola peluda de dentro e voltou para perto da filha e da esposa. - Você escolhe o nome.
Era um cachorro aquilo? O animal olhou para a dona e bocejou, espreguiçando-se a fazendo uns ruidinhos fofos. Mal cabia nas mãos de Ravid. Amira o pegou no colo.
- É ele ou ela?
-Ele. Escolhe um nome.
Rivka pensou, pensou, e não conseguiu decidir um nome para o cão. - Ainda não tem nome, disse, levando-o pra dentro de seu quarto. Colocou-o em cima de sua cama, mas ficou com medo dele cair, então dobrou uma coberta no chão e o pos em cima. - Vê se não faz xixi aí, hein!
Voltou à sala e viu os pais dando um beijo. Estranhos, os adultos. Ao vê-la, pararam e a chamaram para sentar entre os dois.
- Aonde está?
- Coloquei no quarto - respondeu, apoiando-se no ombro do pai. Ele estava realmente mais fraco do que o vigoroso homem que partiu há dois anos. Erelah saiu para pegar a bagagem do marido, deixando os dois a sós. - Fiz um presente para você - disse mostrando o caderno desenhado. O pai segurou o livrinho, folheando, vendo os desenhos e as poucas palavras que estavam aleatoriamente escritas nas páginas.
- Que bonito, filha. Obrigada.
-É para você me ajudar a escrever nele também... Você sabe que ainda não sei direito. Mas agora que você voltou...
- Rivka, temos que conversar sobre isso. - o pai pigarreou e passou os dedos no cabelo cerrado. Um gesto que Amira tinha se esquecido. Ele fazia isso quando ainda tinha cabelos longos. - O papai sentiu muito sua falta. Estive esse tempo a poucos quilometros de casa, mas não podia vir ver-te, e não tem telefone por lá. A situação é complicada, coisas que sua cabeça ainda não entende, mas um dia você entenderá. Querem que eu volte daqui a um mês, mas eu não quero ir, e nem vou - acrescentou, ao notar um evidente olhar de protesto. - Nós vamos sair daqui. Já falei com amigos meus na embaixada, por isso demorei a chegar agora. Sei que você deve ter algumas amizades por aqui, ainda mais que você voltou à escola, mas é um mal necessário. Você entenderá - ajeitou-se no sofá para olhá-la mais nos olhos.
- Vamos para perto do meu irmão? - perguntou.
-Sim, é a minha ideia. Seu irmão continua estudando na Europa, lá é bem mais seguro para nós. Eu... - hesitou. - Eu fiz muita coisa errada. Acreditei que estava fazendo o certo, mas vivi dois anos uma mentira. - o pai continuou a olhar fixamente para a filha, esperando uma resposta. Rivka assentiu.
- Tudo bem.
-Mesmo?
-Mesmo. Vou sentir falta do deserto.
Ravid sorriu. Ele também.
Sem Nome começou a latir no quarto. Rivka estranhou o ruído, lembrou do animal, e perguntou ao pai:
- E ele, vai junto?
-Sim, claro. Agora ele faz parte da família também. Vá cuidar do seu filhote, vá.
Ela levantou-se e foi correndo ao quarto. Ele tinha sumido! E tinha feito xixi no cobertor. Foi correndo atrás de seu rastro. Estava no canto do quarto da mãe, cheirando um objeto estranho. Rivka o pegou no colo e foi até onde seus pais estavam.
-Mãe, o que era aquilo do lado da sua cama?
-O que, filha?
-Não sei, parece um relógio, tipo uma bolsa. - afagando Sem Nome.
Seu pai a olhou cheio de pavor; puxou as duas com força gritando "Corram!" e foi até o quarto. A mãe correu com a filha, até o outro lado do quintal, a abraçando. Rivka, sem entender, absolutamente nada, seguiu Erelah de perto. Parou, enquanto a mãe ainda corria e tentava abrir o portão, fechou os olhos e sentiu uma dor tão forte, tão forte, que esqueceu aonde estava, não reparou que deixou cair um cachorro de semanas no chão, que ganiu com o impacto. Gritou.
No mesmo segundo, ouviu um forte barulho de dentro da casa; uma lufada de ar quente a empurrou ao chão, enquanto sua mãe à distância gritava seu nome. Antes de ter os olhos fechados viu cacos de coisas à volta, um pedaço de sofá, um pedaço de parede, um pedaço de gente. Sentiu as costas arderem e uma dor inexplicável. Depois não sentiu nada.

à medida que os outros nos conquistam - 1




Já eram dez horas da manhã e nada dele chegar. Rivka estava com o rosto sobre um dos braços, debruçada sobre a janela, sonolenta. As vezes seus olhos se fechavam, devagar, mas ao primeiro ruido de carro na rua ela levantava a cabeça ansiosa, procurando a fonte do som com o mais bonito olhar de esperança. Não, não é o papai.
Já fazia tanto tempo que não o via! Quase um terço da vida dela. Voltou à escola, e agora estava finalmente aprendendo a ler e fazer contas. No período da guerra passava o dia inteiro trancada no fundo da casa, com sua mãe chorosa a abraçando dizendo que tudo ia ficar bem, que o pai ia ficar bem, que estando ele lutando perto era mais fácil das notícias chegarem do que se ele estivesse do outro lado do planeta. A menina não entendia, porém percebia que tinha que ter uma postura de força, mais até do que a mãe, que era mais instável do que devia numa situação daquelas. Mas já se passaram meses daqueles dias duros, e ela esperava eufórica o momento de escrever seu próprio nome e o nome de seu pai no caderno que ela decorara para os dois se divertirem.
Estava com sete anos; o pai, Ravid, partira quando ela tinha cinco. Lembrava-se dele vagamente, mas estas vagas lembranças carregavam uma forte emoção. Eram cenas mentais distintas: ele perto do balanço onde ela brincava, fumando um cigarro no canto da boca e sorrindo com a outra metade do lábio. Ela espionando os dois na cozinha: ele e a mãe Erelah brincando e dando beijos enquanto faziam um bolo de chocolate, o pai passando a espátula na boca da esposa e roubando mais beijos, em meio a risos e olhares furtivos à porta. O momento que ele partiu, deixando a mochila militar cair no chão para dar um último abraço na filha.
Não entendia essas guerras, essas brigas de gente grande. Demorou vários meses para se dar conta que seu pai corria risco de vida. Não entendia direito o que era vida ou morte, nem quando seu avô morreu ela percebeu a importância que os adultos dão a essa passagem. Também não sabia direito o que seu pai fazia na guerra, e uma vez um menino árabe disse que seu pai matava pessoas, e ela não acreditou. Faris era o nome do menino. Era um órfão, segundo sua mãe, que foi adotado na missão e lá vivia, alguns anos mais velho que a própria Rivka. Ela percebia que os outros meninos evitavam andar com ele, mas o árabe não se importava. Carregava aquele ar dos adolescentes, marrento, vivia resmungando e chutando pedras e outras coisas pelo caminho. Tinha os ombros pesados, tinha as roupas sujas e surradas, surgia e sumia do nada pelas vielas do bairro judeu. Uma vez a menina tentou cumprimentá-lo, ele a olhou friamente e lançou o duro comentário sobre seu pai e sua raça , a que chamou de "nação de assassinos". Não entendia direito o que significava a palavra raça ou nação, ou porque eles dois eram diferentes em raça apesar dos mesmos traços. Perguntara a sua mãe, e ela disse " Nossa família, Rivka, a nossa e a de todos nesse bairro são abençoados, escolhidos por Deus, somos o povo dele", o que a fez perguntar-se também se isso significava que ela, tão frágil e pequena, era melhor do que o menino de densas sobrancelhas que a espiava quando ia à escola. Um dia ele sumiu; e sua mãe disse que tinha fugido do bairro protegido e foi morto. A morte, novamente, incompreensível.
Um ruído, o pai ! Ouviu o choro da mãe ao abrir a porta e abraçar o homem que acabara de chegar. Aquele é seu pai? Parecia tão mais imponente quando partiu! Agora era um desconhecido magro, com aparência de doença, olheiras profundas sob um dos olhares mais tristes que já vira naquele lugar castigado pela dor. Rivka foi até a porta também, agarrada ao bichinho de pelúcia que ganhara do pai na sua ausência, por correio, no seu aniversário de seis anos. Ravid a olhou, os olhos cheios de água; viu o brinquedo em sua mão, abriu um sorriso tímido e os braços. A filha finalmente sentiu que sim, aquele era o herói de que tanto sentia falta, correu para o abraço, e descobriu o significado da palavra saudade.

Tuesday, 14 September 2010

o problema é o tal do afinco. é o fato de tudo que realmente é digno de ser conquistado, deve ser provado por ti com uma perseverança jamais vista. senta, cala a boca e estuda. droga, tava tão bom aqui.....
sonhar é muito fácil, assim como desejar que as coisas nos venham de bandeja. nada na vida vem fácil, e eu já estou velha o suficiente para me dar conta disso. e acredita que ainda não me dei?
tenho que estudar música, iluminação, história, filosofia, inglês, astrologia, e todas essas outras coisas que eu primo por exibir como conhecimentos. sei porra nenhuma. tenho que aprender ainda. ter uma vaga noção não quer dizer que eu de fato saiba. não me exijo ser uma expert, mas o mínimo é bom, né.
me obriguem a estudar?

Monday, 30 August 2010

preciso precioso


Ele vive em uma dimensão paralela onde tudo e todos o rejeitam, e nisso ele busca e escora-se em qualquer companhia ou ser que lhe dê a devida ateñção. Ele tem medo de perder o mais precioso que possui, mesmo que isso custe sua própria personalidade forte, porém falha, pois ele perde tempo em preencher lacunas dispensáveis. Busca o tempo todo se ocupar não de coisas que o enobrece, mas de coisas que o faça interessante. Mas seu bem mais precioso reconhece isso nele, principalmente seu esforço. É uma pena amante, uma agonia calentosa. Uma dor fugaz e ao mesmo tempo confortante.... Mas seu precioso sabe que o vazio nada mais é do que a ausência de alguma coisa.

Monday, 23 August 2010

Estuans Interius

Estuans interius
ira vehementi
in amaritudine
loquor mee menti:
factus de materia,
cinis elementi
similis sum folio,
de quo ludunt venti.

Cum sit enim proprium
viro sapienti
supra petram ponere
sedem fundamenti,
stultus ego comparor
fluvio labenti,
sub eodem tramite
nunquam permanenti.

Feror ego veluti
sine nauta navis,
ut per vias aeris
vaga fertur avis;
non me tenent vincula,
non me tenet clavis,
quero mihi similes
et adiungor pravis.

Mihi cordis gravitas
res videtur gravis;
iocis est amabilis
dulciorque favis;
quicquid Venus imperat,
labor est suavis,
que nunquam in cordibus
habitat ignavis.

Via lata gradior
more iuventutis,
inplicor et vitiis
immemor virtutis,
voluptatis avidus
magis quam salutis,
mortuus in anima
curam gero cutis.

lindo.

Thursday, 15 July 2010

Eu juro que não entendo os sinais que os homens nos mandam. E depois as mulheres que são misteriosas.
Um olhar, um toque, um sorriso ( neste caso ainda que raro, rsrs) me trazem claros sinais que sim. Mas o não é óbvio. Então o não não é óbvio, do contrário ele não mandaria estes ( claros ) sinais. Ou vai ele apenas quer inflar o próprio ego. Homens são assim. Ego. Sempre a porra do Ego.
O tipo de homem que sempre me soou inatingível agora é mais que batido. Já foram dois. Agora ele. Não entendo. Prefiro até não entender ( me magoo menos, né ). Em um dos casos foi foda pra superar. Mas estou bem, de cabeça erguida e prestes a pintar o cabelo de vermelho. Imagem de superação amorosa maior do que uma adolescente rebelde de cabelo tingido não existe. Estou de uma certa forma contando com isso, que ele me veja e pare de se sentir o gostosão maioral partidor de corações ingênuos. E se eu estou contando com isso, é claro que não superei. Merda.
Merda, merda, merda.
Maldita falta de auto-controle.

Mas fora isso a vida está bem =)

Tuesday, 29 June 2010

E lucevan le stelle,
e olezzava la terra
stridea l'uscio dell'orto,
e un passo sfiorava la rena.
Entrava ella, fragrante,
mi cadea fra le braccia.
Oh! dolci baci, o languide carezze,
mentr'io fremente le belle forme discogliea dai veli!
Svani per sempre il sogno mio d'amore...
L'ora e fuggita e muoio disperato!
E non ho amato mai tanto la vita!

Isso é lindo. Demais.

Espero não ter que dizer isso um dia em tal situação : Nunca amei tanto a vida!
Mas creio que a gente de fato só valoriza quando perde.

Thursday, 24 June 2010

Teia.


Viver é engraçado. Quando somos muito otimistas, acontece algo que nos põe no chão, e nos faz repensar um mundo de ações. Quando pessimistas, alguém aparece, nos dá um tabefe nas ideias e nos faz ver o lado bom da vida. Lado bom? Afinal, existe lado bom e ruim da vida?
Até agora só percebi que tudo depende do ponto de vista. Nesses meus últimos meses de vida pensei tanta coisa, senti tanta coisa, temi tanta coisa.... Vem sendo um inferno. Digamos que não estou conseguindo controlá-la, a vida. Sinto perder pessoas importantes ( ou que eu pelo menos considero), as situações fugindo ao meu alcance, Minha baixa-estima sempre constante, minhas crises e pitis mais frequentes do que o normal.
Passei minha vida inteira esperando meus dezoito anos, porque 'ah, aí sim serei dona da minha vida!'. Tecnicamente, creio que passei minha vida inteira a espera do meu ano seguinte. Entrava numa escola, tentava ser alguém legal, tentava ter amigos e me enquadrar em alguma( qualquer ) realidade que fosse, não conseguia, ano que vem tento de novo, em outra escola, serei uma nova Julia. Bom, oito escolas depois cheguei a conclusão de que isso não funciona. Acho que é por isso que estagnei no Tamandaré nesses dois últimos anos e meio.
Sem a alternativa das escolas, transferi a responsabilidade da minha maturidade e entrosamento social à minha idade. Canso de encontrar papéis e versos de agenda com 'lista de metas'.
Julia tantos anos: e uma descrição da personalidade.
Fala sério, eu de fato queria ( e o pior, ainda quero ) mudar a minha personalidade por medo de rejeição?
Sou tão covarde assim?
Claro que todos sentem essa vontade, pelo menos uma vez na vida, mas isso tem se tornado tão frequente... a vontade de voltar no dia 10/02/1993 e fazer tudo de novo. Tudo. Claro que com a cabeça que tenho hoje. Melhor, com a cabeça que eu terei no dia que morrer. Talvez com essa mentalidade eu não queira mudar nada, sei que tudo que acontece na minha vida molda meu caráter e a minha(maldita) personalidade, tão instável, tão frágil, tão forte.
Não estou aguentando ver o rumo que minha vida tem tomado. Estou na porta da maioridade e não consigo ver saída! Faculdade? Amizades? Poder encher a cara e fumar a vontade sem ter que ver a cara feia dos meus pais?
Isso não é nada! Quero, sim, mais que tudo meu espaço, minha casa, meus filhos, meu emprego, ter que ficar limpando fralda de criança e pagando conta vencida. Talvez porque eu ache que aí sim eu serei dona da minha vida. Meus conflitos serão meus conflitos, só eu poderei resolver. É mal da adolescência achar que todos têm a capacidade de nos entenderem, e não o fazem porque não querem. Mentira.
Descobri também que não sei guardar segredos. Descobri que tenho vergonha de mim mesma, em todos os aspectos.
Descobri que não tenho o menor controle sobre os meus atos, nunca tive, nunca terei, nem sobre os meus atos nem sobre os dos outros. É um desenrolar infinito, imutável, já determinado por Deus muito antes de sabermos quem somos. É uma teia de Penélope.
Droga, a vida não veio com manual de instruções.

Wednesday, 2 June 2010

CAP1

"Não adiantava mais fugir, e ela sabia disso, tentou esquecer, mas não conseguia, estava tudo tão latente dentro de seu peito que apressou seu passo como se isso pudesse atenuar aquela dor. Mas isso só agitou o que sentia, como se sua dor estivesse lembrando-a de que não a abandonaria tão cedo, e que estava viva assim como ela respirava e andava rápido. Fechando os olhos para tentar fazer esse passado tão recente se dissolver, tropeçou e caiu por sobre os ombros de um homem que passava.
-Desculpe-me – disse ela, tentando não olha-lo. Percebeu nele um ar de riso, como o de uma mãe ao ver seu filhote dar os primeiros passos e levar os primeiros tombos.
-Você está bem? – perguntou o homem, abaixando-se para apanhar os livros que Marjorie carregava. Nem se lembrava mais deles, ela pensou, recebendo agradecida e ainda olhando pro chão.- Você não parece bem. Parece... aturdida.
Levantando o rosto ela o viu. Era mais velho do que ela cerca de dez anos, usava óculos, e apesar de ainda jovem já tinha os cabelos grisalhos. Alguma coisa nele a acalmou, talvez o leve sorriso enviesado, o olhar profundo mas carregado de uma compaixão que a acalentou como poucas coisas na vida nos fazem sentir melhor.
-Não... Estou melhor. Obrigada.
-Não há de quê, só creio que deveria se recompor antes de seguir seu caminho, do contrário vai sair esbarrando em todo mundo – riu, secando uma lágrima que escorria no rosto da jovem.
Ela se assustou com esse toque repentino, mas estava cada vez mais a vontade com esse estranho desconhecido. Riu também, tímida, ajeitando a alça da bolsa e olhando-o nos olhos. Sentiu uma momentânea vergonha de suas lágrimas, seu cabelo desarrumado pelo vento, de sua tristeza, do seu ar infantil.
-Sou Pedro. E você seria a....
-Mar.. Mariana.
-Mariana. Nome bonito. Gostaria de entrar...? Pelo menos até você se sentir melhor – apontou para um bar que piscava próximo a eles. -Por minha conta.
A menina assentiu, porém ao segui-lo hesitou um pouco; não o conhecia, será que era seguro? Lembrou-se do olhar que ela a lançara, e piscando para si mesma, passou pela porta que Pedro abrira. A luz do bar cegou-a por alguns instantes, apesar do ambiente estar precariamente iluminado, mas em segundos conseguiu se situar e se dirigiu para uma mesa próxima.
O lugar era aconchegante, parecendo um daqueles pubs irlandeses que ela vira uma vez numa revista de viagens. Era apenas mais sujo, ela riu, enquanto Pedro sentava-se e acenava para o barman mal encarado que secava um copo com um pano encardido. Que lugar clichê, pensou, sorrindo novamente.
-Ah, te vejo bem melhor, até rindo está!- disse Pedro. - Sim, me traga um chope e você.... creio que ainda não tenha idade suficiente. Um suco, um refrigerante?
-Uma água.
O barman afastou-se murmurando enfezado. Marjorie riu novamente.
-Melhor? – Perguntou Pedro, também rindo da cena.
-Bem melhor. Você vem sempre nesse lugar aqui?
-Primeira vez. Sempre passo por aqui, mas nunca tinha entrado.- Suspirou, olhando em volta. Ele tinha duas argolas na orelha, e uma tatuagem no pulso, num idioma que Marjorie não conseguiu identificar. Ele a analisava por cima do óculos, e ela novamente se sentiu criança, e agora, nua. Percebeu que ele a despia de todos os medos e receios que ela própria se cobria,e que ele verdadeiramente a via, como ela realmente era. Era uma vulnerabilidade prazerosa, sentiu que podia sim confiar naquele estranho, mesmo que só o visse naquela vez.-Então... Conte-me. Por que choravas?
-Magoei uma pessoa.
-Só?
-Só? É o pior que poderia ter feito!
-Magoar os outros é inevitável, desde que não seja proposital. Vejo que não foi, ou então a menina aqui não estaria de debulhando em lágrimas como estava. Como e quem você magoou?
-Um... Amigo. Confundi meus sentimentos e tratei-o da forma errada, dei esperanças a uma coisa que não tinha futuro, e perdi uma amizade que tanto prezo.
-Ah, a juventude... – Pedro suspirou novamente. – As vezes cansa, não? São situações que causamos e não tem nada que podemos culpar senão nossa própria falta de experiências. Vejo que você sabe muito e tem grandes sonhos, mas não sabe o exato momento de pô-los em prática. Amigo de muito tempo?
-Uma vida toda.
-Então creio que não seja tanto tempo assim, você é jovem por demais, nem beber pode! Aliás, nosso pedido está demorando – disse olhando por cima dos ombros, procurando o incompetente homem que continuava a secar os copos prestando atenção na conversa deles. Ela começou a reparar nas outras pessoas que estavam por lá: um casal de senhores encardidos a um canto, que pareciam estar ali há horas; uma mulher melancólica no fundo do salão, que soluçava, mexendo num colar de pérolas sobre a mesa; um punk que comia um hambúrguer o qual Marjorie tinha certeza que ela mesma nunca ousaria comer. Era o lugar mais clichê que já estivera. - Mas conte-me sobre você. Quem é você?
-Mariana..
-Não, não perguntei seu nome. Marianas existem muitas. Você é única. Quem é você?
-Eu... Eu não sei responder.
-Claro que não sabe. Ninguém sabe. Acho que nem mesmo Deus conseguiria definir a si mesmo.
Marjorie reparou novamente na tatuagem, enquanto Pedro brincava com o paliteiro entre os dedos. O que significava aquelas letras? Percebeu que não eram letras, e sim símbolos. Viu o símbolo do homem e da mulher...
-São planetas.
-Ah sim - sentiu-se constrangida. Ele a fitava novamente, e ela sentiu que ele queria dizer algo com aquele olhar. Marjorie sabia o que ele queria dizer, mas não admitia. Pensou "que cara safado!" mas não desviou o olhar, pelo primeiro instante. Gostou de se sentir desejada. Quem era aquele estranho e por que estava nela fazendo nascer vontades tão confusas? O tempo parecia parado, imóvel. Era uma sensação ótima, ver aqueles olhos verdes encarando-a naquele ambiente quase que épico. Não importavam-lhe os minutos que se passavam, ela era imortal, poderia ficar ali eternamente. Sentia-se mulher, pela primeira vez. Ela era alguém que poderia dirigir a própria vida, os próprios instintos.
-Tenho uma proposta para te fazer - falou Pedro, despertando-a. Vejo que você já está melhor, nem parece a mesma menina que encontrei chorando. Venha para minha casa, é aqui perto. Não vou lhe fazer nenhum mal. Sei que se eu fosse lhe fazer algum eu também diria que não, mas confie em mim. Não vou lhe fazer nenhum mal.
-Acredito em você. Meu medo não seria o que você pode fazer, mas sim o que eu posso fazer.
-E o que você pode vir a fazer?
-Não sei.- Marjorie inspirou fundo.- Vamos.
-Vamos.
Levantaram-se, e enquanto ela recolhia os livros, Pedro explicava ao barman malvado que estavam cancelando o pedido. Ele abriu a porta para sairem, e disse:
-Olhe o lugar pela última vez.
Saíram. Ela não entendeu o pedido, mas encarou a porta que se fechava lenta e ruidosamente e sentiu que seria a última vez que olharia para aquelas pessoas. Estranho. Pedro ofereceu-lhe a mão e sairam andando, não rápido nem devagar, e desceram a rua como um casal de namorados. O tempo ainda se movia vagarosamente, e ela se sentia mais velha, mais experiente, mais forte.
-É aqui.
Pararam em frente a um casarão antigo, com uma grade enferrujada e cheia de hera. Ele abriu o portão, que rangeu assustadoramente, mas não abalou a curiosidade que ela sentia de saber como era o ninho daquele estranho pássaro. Era um sobrado do início do século, que parecia não só à deriva do tempo e das pessoas, mas erguia-se como um portal para alguma coisa que Marjorie ainda não conseguia definir. Entrou seguida daquele estranho homem que passou e trancou a porta."

Tuesday, 1 June 2010

Judeus X Israel X Palestina X Ajuda Humanitária X Verdade


CRIMES, CRIMES, CRIMES, CRIMES, CRIMES, CRIMES, CRIMES, CRIMES, CRIMES.

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4463163-EI308,00-Israel+eleva+violencia+na+regiao+e+gera+criticas+de+paises.html

Israel eleva violência na região e gera críticas de países
01 de junho de 2010 16h32

O ataque de Israel em águas internacionais à frota de navios que levava ajuda humanitária para a Faixa de Gaza gerou críticas de diversas nações e fez aumentar o nível de violência na região. Nesta quinta-feira, ao menos cinco palestinos foram mortos em ataques realizados por soldados israelenses.

Enquanto as Nações Unidas condenavam o ataque de ontem, no qual soldados israelenses mataram ao menos nove ativistas internacionais e feriram outras dezenas, Israel começava as deportações das centenas de presos e os milicianos palestinos tratavam de vingar às vítimas da abordagem.

Pela manhã, dois palestinos foram mortos por tropas israelenses em um tiroteio quando tentavam entrar em Israel burlando os postos de check up na altura da localidade de Khan Yunes, informaram o Exército israelense e testemunhas.

Horas mais tarde outros palestinos morreram em um ataque aéreo israelense quando se preparavam para lançar foguetes contra o território judeu a partir do norte da faixa.

A alta da violência foi motivada pelo ataque israelense ontem a uma frota de navios carregada com ajuda humanitária à Faixa de Gaza.

Os navios estavam em águas internacionais quando foram atacados por uma unidade de elite israelense. Ao menos nove ativistas, em sua maioria turcos, morreram na operação que recebeu críticas da maior parte da comunidade internacional.

Críticas rejeitadas esta tarde pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que deixou claro que continuará com o bloqueio a Gaza "por terra, ar e mar", apesar do Conselho de Segurança da ONU ter solicitado hoje o seu levantamento.

"É certo que há pressão internacional e críticas a esta política, mas o mundo deve entender que ela é crucial para preservar a segurança de Israel e o direito do Estado Judeu de defender a si próprio", disse o primeiro-ministro, horas após visitar os soldados feridos no hospital.

Israel segue sem identificar oficialmente os mortos, embora um funcionário do Ministério de Exteriores adiantou à Agência Efe que a maioria são cidadãos turcos.

O Ministério de Exteriores da Turquia anunciou que as autoridades de Israel comunicaram ao país que ao menos quatro dos seus cidadãos morreram.

O Exército israelense também mantém confiscadas as gravações de vídeo, câmaras de fotos e os telefones dos ativistas que viajavam na frota humanitária.

Por isso os únicos testemunhos visuais do ataque correspondem ao Exército israelense, que os editou e divulgou à imprensa. No entanto, alguns ativistas e meios de comunicação presentes nas embarcações conseguiram enviar algumas imagens sobre os momentos posteriores.

O Exército israelense justifica o confisco dizendo que desconhece "o que há nesses instrumentos" e que no passado encontrou "câmaras utilizadas para esconder bombas".

Enquanto isso começaram as deportações dos ativistas, cerca de meia centena, que aceitaram assinar um documento de repatriação voluntária pelo que renunciam o direito de apelação perante a justiça israelense.

Uma minoria perto dos 600 ativistas detidos que rejeitam assinar a chamada "folha de expulsão". Parte dele foi transferida para uma prisão na cidade de Beer-Sheva, no sul do país.

Abderraman Saidi, funcionário do Governo da Argélia, disse também que 124 cidadãos de países árabes que integravam a frota foram libertados na última hora e se dirigem para a Jordânia.

Entre os libertados se encontram, além de argelinos, cidadãos kuwaitianos, jordanianos e libaneses, segundo o coordenador, que também é presidente do Conselho Consultivo do Movimento da Sociedade pela Paz (MSP), formação organizadora da expedição do país norte-africano.

Fontes oficiais informaram hoje que a cineasta brasileira Iara Lee, que estava em um dos navios da frota, está bem de saúde e recebeu hoje a visita de um enviado da embaixada brasileira em Israel.

Quem recobrou a liberdade após ser interrogada foi Hanin Zoabi, a única deputada israelense que participava da frota e que teve o direito de sair graças a sua imunidade parlamentar.

Logo que saiu Zoabi, palestina com cidadania israelense, convocou uma coletiva na cidade de Nazaré. "Estava claro pelas dimensões da força com que o Exército de Israel abordou o navio que o propósito não era detê-lo, mas causar o maior número de baixas para impedir futuras iniciativas similares", acusou a deputada, que estava a bordo do navio em que ocorreram todas as mortes.

No campo diplomático e após 13 horas de negociações, o Conselho de Segurança das Nações Unidas pediu uma investigação imparcial e crível do ataque e condenou de forma vaga os "atos de força" que causaram as vítimas, sem responsabilizar Israel.

Nem israelenses nem palestinos ficaram contentes com a resolução da ONU.

Para o porta-voz da diplomacia israelense, Yigal Palmor, ela é "hipócrita" e "precipitada", enquanto a voz do Governo palestino, Ghassan Khatib, a considera "insuficiente" porque não serve para "evitar que se repitam os fatos" ao não atribuir responsabilidades.

O movimento muçulmano Hamas a qualificou, por sua vez, como "débil e desequilibrada" porque "não corresponde com a gravidade do crime".

O ataque pôs o foco midiático e internacional no bloqueio a que Gaza é submetida há anos por Israel com a cooperação do Cairo.

Hoje, em meio ao clamor popular no mundo árabe e muçulmano, o presidente egípcio, Hosni Mubarak, ordenou a abertura da passagem fronteiriça de Rafah, que une seu país com Gaza, para permitir a entrada de ajuda humanitária.

Agora resta ver o que vai acontecer com os outros dois navios da frota que ficaram para trás por problemas técnicos e se dispõem a chegar em breve à faixa, apesar do precedente sangrento e da advertência israelense de que também lhes cortará a passagem.

EFE
EFE - Agência EFE.
Comentário feito à resposta:


EDMILSON

postado:
01/06/2010 - 19h27

QUER QUEIRA OU NÃO ESTE POVO É ELEITO, AINDA FALTA MUITO TERRITÓRIO A SER RETOMADO POR ISRAEL, QUANDO LHES FALTAR FORÇA DO ALTO VIRÁ O SOCORRO, PARA UM POVO QUE SÓ FALTA CRÊR EM JESUS, QUANDO ISTO OCORRER, TODA HUMANIDADE VERÁ QUEM VERDADEIRAMENTE É ISRAEL. TODOS ESTÃO CEGOS E NÃO ENTENDEM, MAS VERÃO QUEIRAM OU NÃO. O GRANDE EL SHADAY EM AÇÃO A FAVOR DE ISRAEL.
Minha resposta ao comentário:

Julia Requião

postado:
01/06/2010 - 20h17

Edmilson,
Falta só você enxergar, meu querido, que NÃO EXISTE POVO ELEITO. Ora, se somos todos iguais perante Deus ele não segregaria uma raça de ''favoritos'' para chamar de seu. São pessoas como VOCÊ que alimentam esse tipo de barbárie, quando dizem que eles estão no direito de tomar a terra dos outros. Se um índio bater na sua porta, mandando você sair de casa, e ir catar rumo aonde quer que seja, só porque ele morava aqui antes de 1500, você acharia certo? E por que um judeu que saiu de lá há dois mil anos é dono por direito de um território? Ah, quer dizer que o índio não é filho de Deus? Não merece ter uma terra só dele não? As crianças e mulheres palestinas também são pecadoras só porque não são judias? É horrivel admitir isso, mas o holocausto dos anos 40 ajudou e muito a imagem que os judeus querem ter hoje. De povo sofrido, renegado, olha como nós somos pobres coitados, merecemos ter a posse completa da cidade mais sagrada do mundo( nas 3 maiores religiões Jerusalém é tida como cidade sagrada.) . Este argumento que você usa é o mesmo que os católicos usaram durante as cruzadas, quando ''supostamente'' queriam livrar a terra santa da mão dos infiéis, e atravessaram meio mundo para o que nós sabemos hoje puro interesse comercial. Vai dizer então que você, caro Edmilson, nunca percebeu que Israel só foi 'devolvida' ( entre aspas, claro) para os judeus, pela ONU, e apenas porque os EUA queriam? E também não percebeu que para os EUA ter um aliado no meio do Oriente Médio, cheio de petróleo, não seria extremamente interessante? Você realmente acha que foi o fato de eles supostamente serem daquela terra foi mais importante para a criação de Israel do que o dinheiro? O território israelense já foi criado, não há mais volta, não depois de 60 anos. Agora, o necessário é tentar prevenir conflitos, mediar, e principalmente, pelo menos relocar os palestinos, que agora são os sem-pátria da vez ( será que daqui a 2000 anos será necessário que um déspota assassine milhões de palestinos para que eles tenha voz e roubem o território de outra pessoa?), ao invés de ficar dizendo que eles ( Israel ) têm o direito de assassinar pessoas para garantir um país mais novo do que conceitos éticos que, por sinal, eles pregam. Se eles eram os pobres coitados que precisavam de território, que fossem para um outro deserto aí da vida, mas nããão, tem que ser aquele que tem petróleo, e para isso, vamos colocar o nome de Deus no meio para maquiar essa cobiça e falta de vergonha na cara.
Não sou anti-semita, pelo contrário, sou apenas uma mera estudante de 17 anos que não aguenta mais essa hipocrisia. Só acho que esse é um dos argumentos mais furados que eu já vi. E utilizar-se disso, ainda, nos dias globalizados, é no mínimo, acreditar que a opinião pública mundial é estúpida. E pelo seu comentário vejo que é mesmo. Afinal, você ainda não entendeu que o filho de Deus se chama dinheiro? Porque é este que manda, e apenas a ele que obedecem.



Friday, 28 May 2010

"-Exerce realmente má influência, lorde Henry? - perguntou o rapaz, momentos depois. - Tão má como diz Basil?
-Boa influência é coisa que não existe, senhor Gray. Toda influência é imoral... imoral, do ponto de vista científico.
-Por quê?
-Porque influenciar uma pessoa é emprestar-lhe a nossa alma. Essa pessoa deixa de ter ideias próprias, de vibrar com as suas paixões naturais. As suas qualidades não são verdadeiras. os seus pecados, se é que existe o que se chama pecado, vêm-lhe de outrem. Essa pessoa torna-se o eco da música de outra pessoa, intérprete de um papel que não foi escrito para ela. A finalidade da vida é para cada um de nós o aperfeiçoamento, a realização plena da nossa personalidade. Hoje, cada qual tem medo de si próprio; esquece o maior dos deveres: o dever que tem consigo mesmo. Naturalmente, o homem é caridoso. Dá de comer ao faminto, veste o maltrapilho. Mas a sua alma é que sofre fome e anda nua. A coragem abandonou a nossa raça. Talvez nunca a tenhamos tido. O temor da sociedade, que é a base da moral, e o temor a Deus, que é o segredo da religião.. eis as duas coisas que nos governam. Contudo...(...) Contudo - continuou lorde Henry, com sua voz grave e melodiosa, abanando curiosamente a mão, em um gesto tão seu, que já tinha no tempo de colegial-, sou de parecer que se o homem vivesse plena e totalmente a sua vida, desse forma a todo sentimento, expressão a toa ideia, realidade a todo devaneio... creio que o mundo receberia um novo impulso eufórico, um impulso de alegria que nos faria esquecer todos os males do medievalismo e voltar aos ideias helênicos... talvez a algo mais belo e mais rico do que o próprio ideal helênico. Mas o mais valoroso dos seres humanos tem medo de si mesmo. A mutilação do selvagem subsiste tragicamente na renúncia que nos estraga a vida. Somos punidos pelo que enjeitamos. Todo impulso que nos empenhamos em sufocar incuba no nosso espírito e nos envenena. Peque o corpo uma vez, e estará livre do pecado, porque a ação tem um dom purificador. nada restará então, salvo a lembrança de um prazer; ou a volúpia de um arrependimento. A única maneira de se livrar de uma tentação é ceder-lhe. Resistamo-lhe e a nossa alma adoecerá ade desejo do que proibimos a nós mesmos,do que as suas leis monstruosas tornaram monstruoso e ilegítimo. Tem-se dito que os grandes acontecimentos do mundo occorrem no cérebro. Também é no cérebro, e só nele, que ocorrem os grandes pecados do mundo. (...)" Oscar Wilde, O retrato de Dorian Gray, cap II

Tudo bem que esse carpe diem é falho, mas por si só não deixa de ser um argumento interessante.
Putz, minha cabeça está a mil.

Quer dizer que meus problemas são influência do meio? Sim, se pensarmos que ninguém é original . Até quem quer ser original está copiando alguém ( me disseram isso quinta, logo após me chamarem de 'esteriotipada'. Bernardo, seu filhadamãe. Mas enfim. Juro que estou começando a acreditar que realmente sou). Então eu sou fruto do que absorvi ao longo da minha vida....
Outro dia reparei numa coisa. Nós mudamos. Tá, já repararam nisso antes. Inclusive Heráclito, que está nesse momento sendo sufocado por um marca-página ali, do meu lado, fechado, na minha estante(odeio essa minha mania de deixar livros pela metade). Mas nunca tinha percebido como são grande as mudanças!
Eu guardo papéis. centenas de milhares de porrinhas de papéis, dos mais inúteis e variados. Mas tem alguns que se salvam. Dentre esses, quando resolvo ressuscitar e organizar pelo menos cronologicamente essa papelada(claro que logo depois desisto) sempre encontro um que me faz parar, e pensar " porra, eu já fui assim". Será que fui mesmo? O que prova que a pessoa que passou por aquele momento é a mesma que está aqui? meia dúzia de memórias registradas na cabeça? Juro que se eu não lembrasse que era eu quem estava lá, nunca saberia. Pois não sei se agiria igual. Então, mutando Heráclito: Uma pessoa nunca entra duas vezes no mesmo rio. Porque as águas não serão mais as mesmas, nem você o é. ( aí descobre que nem no mesmo rio está, que você encontra-se 2 km ao norte de onde você estava, e que você não faz a menor ideia de como foi parar ali. Será que você é sonâmbulo ou algo assim? Reflita.)

A vida acaba empurrando a gente para seus caminhos, só para depois por a mão nas cadeiras e dizer com um sorriso enviesado " ha ha ha, eu não disse?"
Bom, na próxima a gente tenta acertar mais.
Mentira, vamos começar logo.
Aceito agora o fato que realmente, minha vida tomou um rumo que eu não havia planejado. Isso já aconteceu antes; porém não com essa Julia. A Julia do Pedro II, Zaccaria, diabo que seja, a Julia de outros momentos, tá morta, mas as cinzas ainda estão aqui dentro. A Julia de hoje é uma acomodada maldita, que se acostumou a não reparar nos problemas (reais) e de fato crer que eles não existem. Os reais, porque essa daí tem a mania péssima de encontrar empecilhos idiotas em tudo. Morre também, desgraçada.
Momento fênix.
E rápido, antes que Urano entre retrógrado em Peixes. Ok, dane-se meus momentos astróloga.
Vou dormir.